domingo, 26 de agosto de 2007

Engenheiros do Hawaii - Novos Horizontes

Depois do sucesso comercial do Acústico MTV, Humberto e banda lançam outro disco ao vivo: Novos Horizontes. É um misto de inéditas e regravações de músicas antigas – e de gosto duvidoso. No acústico foram apenas duas inéditas, nesse são nove, metade do disco que conta com uma boa versão de Toda Forma De Poder/Chuva De Containers marcada principalmente pelo baixo e pelo hammond. Vertical que também é uma boa música mantém o disco no topo. O refrão é do tipo que fica na cabeça por dias, e mais uma vez o baixo e o hammond dão vida pra uma das melhore do disco. Guantánamo vem logo em seguida, sem abaixar o nível. Pela demo colocada no site, essa teria tudo pra ser a melhor música do disco. A versão do disco ficou aquém das expectativas, mas não faz feio. Até agora, tudo bem. A quarta música é... A Montanha. Sim, isso mesmo, num disco que busca novos horizontes. Irônico, não? Humberto pega um sucesso amplamente tocado e coloca no disco, afinal alguém precisa pagar o colégio da Clara. Não tem nada de novo, é mais do mesmo. E só começou. Quebra-Cabeça é uma boa faixa, baixo bem presente e Gláucio fazendo bem os backing vocals. No Meio De Tudo Você começa no clima do acústico, gaita e hammond na introdução, outra ótima música e melhor letra das inéditas: “A gente se acostuma a muito pouco / A gente fica achando que é máximo / Se o cara mente, mas tem cara de honesto.” Humberto ainda tem um pouquinho do que escrevia há alguns anos atrás guardado. Não Consigo Odiar Ninguém segue mantendo o bom nível das composições novas, Aranha segue apagado nesse disco, talvez pela ausência do Paulinho, que faz uma falta imensa à banda. Cinza poderia ser excelente, não fosse pela voz ridícula do Maltz acabando com a música numa tentativa de imitar Renato Russo em Perfeição, música da – felizmente – extinta Legião Urbana. Coração Blindado encaixaria perfeitamente no Dançando No Campo Minado, música muito boa e que merecia uma versão totalmente elétrica. Agora começa o sofrimento... A Onda, música muito tocada na turnê do acústico e que veio como uma boa surpresa é completamente assassinada pela voz de adolescente mimadinha da Clara. Nem com seu pai cantando junto dá pra agüentar. Péssima. Parabólica por si só já soaria ridícula num disco com esse nome, pior ainda é colocar a filha pra cantar de novo. Horrível. Faz De Conta levanta a bola de novo, mas o estrago já foi feito. Nem seu clima mais intimista compensa o que foi feito nas duas músicas anteriores. Novos Horizontes entrou pra servir de faixa-título, já que tem menos de dois minutos e não acrescenta nada de novo. É praticamente Humberto no piano e Gláucio na percussão. Faz a ponte pra Alívio Imediato, que já deu o que tinha que dar no 10.000 Destinos. É mais do mesmo. Simples De Coração que também foi muito tocada na turnê do acústico entra no disco e não sofre nenhuma mudança significativa. Peraí, onde estão os novos horizontes? Piano Bar é a próxima. Mais do mesmo, nada de novo – a não ser a menção de Bob Marley. Talvez os novos horizontes tenham sido vislumbrados apenas pelo Humberto numa viagem ao som do melhor reggae jamaicano. Luz ficou boa, mas agitada demais pra letra que tem. Uma versão mais tranqüila seria bem melhor. E a próxima? Qual será a música que fecha o Novos Horizontes? Pra Ser Sincero. A famigerada. A própria. O aborto musical dos Engenheiros fecha o disco que tem proposta vanguardista, mas que soa como caça-níquel desesperado da Humberto Gessinger Band.

A idéia já começou errada. Gravar um disco ao vivo é fazer o processo inverso, já que o grande barato de uma gravação ao vivo e escutar versões de estúdio num clima diferente que só o show proporciona. Já que queriam gravar ao vivo, que fizessem apenas com as inéditas. Soaria mais sincero do que mesclar novas e velhas num disco totalmente sem cara e que peca pela obviedade. Prefiro que voltem aos velhos horizontes, com discos sinceros como o Surfando Karmas e DNA e realmente revolucionários, como o Filmes De Guerra, Canções De Amor.

Vou pegar o GLM pra escutar. Quero apagar essa imagem ruim da banda.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Dave Matthews Band - Busted Stuff

Depois do aclamado Before These Crowded Streets de 98 e do controverso Everyday, de 2001, a Dave Matthews Band solta um disco diferente. Algumas músicas já era conhecidas dos fãs, fruto das Lillywhite sessions, apenas duas eram inéditas: Where Are You Going e You Never Know.

Diferente do disco anterior que trilhava por um universo mais pop - não que isso seja ruim - Busted Stuff é um disco mais denso, quase depressivo. A faixa-título inicia o disco, um clima legal, Carter explorando bem os detalhes, mas com uma letra já pessimista: I know she's gonna leave / My broken heart behind. Grey Street é basicamente sobre arrependimento, talvez uma mensagem de Dave pra sua ex-namorada, que se chamava Grey. A música segue no estilo DMB, com o sax em destaque, Leroi conduz a música praticamente sozinho dando passagem à próxima canção, Where Are You Going, bem lenta, com um piano permeando a música toda. A letra, mais uma vez, é bem introspectiva. You Never Know continua no clima do disco, falando sobre como as pessoas se esquecem dos seus sonhos em decorrência do mundo e como se sentem pequenos perante a grandeza do universo: Lying on the roof counting / The stars that fill the sky / I wonder if someone in the heaven / Is looking back down on me / I’ll never know / So much space to believe. Apesar disso ainda há, mesmo que discreta, uma mensagem positiva: But everyday should be / A good day to die, talvez tentando incentivar a todos a viverem intensamente, já que tudo pode acabar rapidamente. Captain também é bem lenta, uma letra que remete logo a um desentendimento conjugal. Não sei se foi isso que o Dave quis passar, mas retrata bem a situação de separação: Now I am the captain of this ship / Curious hands and fingertips e tentativa de reconciliação: Oh how could I even try / Love won't you stay with me?. Raven da início ao ponto alto do disco, que é a segunda metade. Com uma letra bem confusa e instrumental impecável, Boyd e Leroi construindo todas as passagens da música enquanto os outros fazem bem seus papeis. Grace Is Gone é o ponto alto do disco. A tão temida ''música country'' das Lillywhite sessions se mostrou a mais depressiva do disco, música de fossa mesmo. A letra é maravilhosamente triste, canção típica pra se escutar no bar, chorando no ombro do garçon. One drink to remember / Then another to forget / How could I ever dream to find / Sweet love like you again. Kit Kat Jam é a instrumental do disco, bem pra cima e diferente de todas as outras músicas, totalmente fora do contexto soa deslocada em meio a tanta depressão. Digging A Ditch provavelmente é uma tentativa de exorcizar os demônios de cada um. A melhor maneira de fazer isso é enterrando todos em uma cova. Várias partes apenas com violão e voz dão um clima intimista e bem pessoal à música. Big Eyed Fish é a fuga drástica de todos os problemas. Desde a morte de um peixe de olhos grandes até o suicídio de um idiota. But oh God / Under the weight of life / Things seem brighter / On the other side. A última e maior faixa do disco é Bartender, um devaneio sobre o medo da morte e sua imprevisibilidade. Oh and if I die before my time / Oh sweet sister of mine please / Don’t regret me if I go / Bartender please, fill my glass for me / With the wine you gave Jesus / That set him free / After three days in the ground.

Busted Stuff é um disco excelente. O mais intimista, denso e depressivo da DMB, totalmente diferente de todos os outros e o único a bater de frente com o Before Theses Crowded Streets.